M'banda

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  M'banda é uma palavra do Kimbundu, uma língua Bantu, e com alguns significados, pode indicar um coletivo religioso, a/o líder desse coletivo, mas o de uso mais comum é : magia, a arte de curar. No Kimbundu quando as letras M e N precedem outra consoante, elas tem um som de vogais nasaladas, ou seja: em/en, im/ìn, um/un. A palavra M'banda pode ser lida como embanda, imbanda, umbanda ... Oscar Ribas, escritor e etnólogo Angolano, afirma que em Angola, " Umbanda " é um rito de cura, um tipo de medicina natural que envolve a intervenção de espíritos, é a ciência do Kimbanda ( sacerdote, curandeiro ). O historiador Wilson do Nascimento Barbosa, indica a palavra Nblanda para definir práticas religiosas Bantu no sudeste do país. Nblanda estaria muito além de um movimento religioso, seria uma filosofia espiritual mesclada a uma ideologia social na metade do século 19. Aqui M'banda tem exatamente este sentido, uma filosofia de vida que mescla espiritualidade, princípio

Espiritual X Religioso

 


Complexo falar sobre espiritualidade e religião, e é complexo porque envolve o ser humano, que é diverso.


O primeiro ponto a se entender é que toda religião é uma criação humana e todas surgiram de outras, como por exemplo o cristianismo que surge do judaísmo, o protestantismo que surge do catolicismo ...


Tanto é que as primeiras manifestações religiosas estão centradas nas forças naturais como divindades. Isso se transforma ao longo da evolução da espécie humana, os deuses ficam antropozoomórficos e na sequência antropomórficos ...


Algumas dessas religiões são entendidas como ou se tornam tradicionais quando, num processo de repetição, se formalizam, aliás, todas as práticas sociais consideradas tradicionais seguem esse modelo de repetição e convenção ...



Mas, tradicional está longe de ser uma lei imutável, verdade absoluta, um conceito ou uma prática fixos, pelo contrário, o tradicional também se remodela e isso acontece de acordo com as transformações sociais.


Algumas práticas que já foram consideradas tradicionais e estavam atreladas a conceitos religiosos, hoje não são bem vistas e são, inclusive, criminalizadas por lei, como por exemplo a mutilação genital feminina ...


Ao longo da história existem também rompimentos com o que é considerado tradicional, em todos os aspectos sociais, incluindo a religião. Estudiosos apontam que na metade do século 19 surgem novas religiões e espiritualidades alternativas que se expandem e ficam populares na metade do século 20. Naturalmente, surgem ao mesmo tempo, movimentos tradicionais de combate a essas novas práticas.


Novas formas de espiritualidade e religião passam a ser chamadas de contracultura e Individualismo. Curioso é como essas palavras passam a ter significado conveniente para tradicionalistas.


Contracultura e individualismo são movimentos políticos, sociais que se opõem a hegemonia e ao extremismo de conceitos que reduzem a liberdade do indivíduo .



Essa redução da liberdade individual é reflexo da autoridade característica do tradicionalismo onde o indivíduo é posse do outro.


No século 21 essas novas espiritualidades e religiões são redesenhadas e acabam muitas vezes banalizadas por seus próprios adeptos, promessas de vidas perfeitas, de alcance de status, de positividade tóxica que descartam fatores externos ( questões sociais, políticas, econômicas ) e criam expectativas que comprometem o bem estar como um todo. Essa banalização ganhou muita força no período pandêmico...


Ou seja, para haver crítica é preciso também haver autocrítica, ao mesmo tempo que religiões tradicionais podem reduzir a liberdade individual, novas formas de espiritualidades podem alimentar a alienação, tudo depende de como são colocadas em prática.


Fato é que a cada dia se torna mais popular o movimento de " espiritual mas não religioso " para descrever práticas espirituais que não se encaixam nos padrões de religiões tradicionais. E esses movimentos irão se repetir por toda a história futura da humanidade.


Eu acredito que a individualidade, a subjetividade deve ser respeitada, tanto para aqueles que seguem religiões tradicionais quanto para os que seguem uma espiritualidade alternativa.


E ainda que a espiritualidade alternativa seja vista como individualista, é curioso ver que a maioria desses grupos estão engajados com questões sociais, ecológicas, animais, e muitos dos grupos tradicionalistas ignoram essas demandas, de novo; tudo depende da intenção, de como é colocado em prática.


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