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Mostrando postagens de Março, 2022

M'banda

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  M'banda é uma palavra do Kimbundu, uma língua Bantu, e com alguns significados, pode indicar um coletivo religioso, a/o líder desse coletivo, mas o de uso mais comum é : magia, a arte de curar. No Kimbundu quando as letras M e N precedem outra consoante, elas tem um som de vogais nasaladas, ou seja: em/en, im/ìn, um/un. A palavra M'banda pode ser lida como embanda, imbanda, umbanda ... Oscar Ribas, escritor e etnólogo Angolano, afirma que em Angola, " Umbanda " é um rito de cura, um tipo de medicina natural que envolve a intervenção de espíritos, é a ciência do Kimbanda ( sacerdote, curandeiro ). O historiador Wilson do Nascimento Barbosa, indica a palavra Nblanda para definir práticas religiosas Bantu no sudeste do país. Nblanda estaria muito além de um movimento religioso, seria uma filosofia espiritual mesclada a uma ideologia social na metade do século 19. Aqui M'banda tem exatamente este sentido, uma filosofia de vida que mescla espiritualidade, princípio

M'banda - Terra de Mortos

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  As religiões afro nem sempre tiveram a estrutura que conhecemos hoje, ela aconteceu ao longo dos séculos de ressignificação das religiões tradicionais na diáspora, voltar no tempo nos dá muitas pistas de como eram os cultos em seus primórdios no Brasil e como foram se adaptando de acordo eventos sociais, políticos, etc . Os bantu foram os primeiros a chegar aqui e não trouxeram uma religião como conhecemos hoje e passou ser uma exigência, não tinham templos, os cultos eram ao ar livre, no meio da mata em louvor aos ancestrais, era o Nkalundu , Nkilundu , ou ainda o Ilundu ... As crenças bantu eram bem centradas no culto aos mortos, alguns povos tinham ideias de divindades, mas o centro do culto eram os ancestrais, e foi assim que se desenvolveram vários cultos ou religiões com estruturas muitos simples e invocação de espíritos... O Candomblé surge no Rio de Janeiro no final do século 19, ou seja, já existiam outras formas afro religiosas nessa região, então é impossível que o Candom

As 7 Linhas...

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Antes de adentrar ao assunto, bom sinalizar que o blog M'banda tem como princípio incentivar, fomentar a pesquisa por fatos históricos e naturalmente questionar a centralização de assuntos que envolvem a M'banda / Makumba . Não é sobre as pessoas deixarem suas práticas, mas questionarem e com isso buscarem maior conhecimento. Eu nunca consegui entender as 7 linhas de Umbanda , até porque existem várias versões. A primeira menção de 7 linhas que temos conhecimento acontece na década de 20 com Leal de Souza, até então nem Zélio de Moraes falava nessa subdivisão... Essa subdivisão em linha é recente e de diáspora, em Cuba também se fala nas 7 potências africanas, mas em origem essas linhas não existem, vms encontrar no máximo alguns agrupamentos de divindades mas sem encaixotar, como os Orixás Funfum, por exemplo.  Eu até acho o conceito de 7 linhas bem poético, mas ao mesmo tempo vejo como a necessidade ocidental e moderna de sistematizar tudo e no meu entendimento sistematizar d

A Encruzilhada...

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  A cada dia eu entendo que focar num ponto de pesquisa e se fechar, não gera, não movimenta conhecimento, pelo contrário, engessa. Eu vivo numa verdadeira encruzilhada desde que voltei a me envolver com o meio afro religioso, parte de mim é nostálgica e apegada aos ritos antigos, aos meus mais velhos. Outra parte não pode e nem deve fechar os olhos para todas as transformações sociais que refletem inclusive nas religiões, nas espiritualidades. Dia desses conversava com um amigo sobre estrutura de terreiro, eu não tinha até ontem uma estrutura pra que hoje eu formasse uma comunidade religiosa, exatamente por causa da encruzilhada que eu vivo, mas a partir de ontem, entendi que essa encruzilhada não precisa me perturbar, ela é na verdade o caminho. Então hoje se eu montasse meu terreiro, manteria os ritos internos antigos, o legado dos meus ancestrais para que os meus mais velhos que ainda vivem e participam da minha espiritualidade pudessem reconhecer a tradição. Por outro lado iria re

" A Umbanda tem o corpo, o Espiritismo tem a cabeça "

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  " A Umbanda tem o corpo, o Espiritismo tem a cabeça " Eu li esta frase na adolescência em uma revista de " Umbanda " que circulava na época e nunca mais esqueci... Nos dois terreiros chamados de Umbanda que frequentei, os ensinamentos eram totalmente orais, não existia material didático, livros. As pessoas daquela época ou sabiam pouco ou não sabiam ler e escrever, mas elas sabiam muito como fazer Makumba, e não tinham aprendido em livros, principalmente em livros que condenam magia e formatam espiritualidade... Confesso que sentia falta de um material de estudo e fui buscar esse conhecimento fora do terreiro, lembro que ia para uma biblioteca que tinha na Administração Regional aqui do meu bairro pra tentar encontrar livros sobre Makumba, encontrei pouca coisa, mas encontrei livros de história e outros com curiosidades interessantes...  Comprava tudo o que aparecia sobre Umbanda. Estudar a religião começou a criar conflitos em mim, eu não reconheçia nos livros e

Aborixá

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  Quem pode cultuar Orixá? Todos podem, desde que exista um entendimento sobre o que é um culto devocional e o que é um culto sacerdotal/religioso, e não exista um colonialismo espiritual, ou seja, tentar moldar cultos e espiritualidades ancestrais pra atender critérios que inferiorizam, esvaziam ou tentam dar um ar evoluído numa perspectiva colonial... Aliás, temos um respingo grandioso da colonização nas religiões afro-diaspóricas, isso inclui crenças espirituais/religiosas e mesmo comportamentos... Tem no mínimo 200 anos que Orixás são cultuados no Brasil, isso o que podemos contabilizar com registros históricos, mas não temos alcance do que aconteceu antes... É de se entender que naturalmente o culto aos Orixás passou por inúmeras transformações e adaptações de acordo com eventos sociais e políticos, nada era tão formatado como nos dias atuais. A discussão sobre onde existe ou não Orixá tá sempre atrelada aos extremos Umbanda e Candomblé, e aqui entra conceitos que já mencionei em

Origem, o mito e o futuro da Makumba

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  Difícil encontrar uma linguagem que não pareça crítica ou mesmo conflito, tô na busca dessa linguagem todos os dias... É muito ruim ver uma coisa que se ama se dissolvendo, se transformando sem critérios, sem compromisso com a história, com a ancestralidade. Mas eu tenho compromisso com a verdade, não posso me silenciar. Por outro lado, não sou e não quero ser uma juíza que aponta, julga e condena no tribunal da web. Meu compromisso é em preservar a Makumba Antiga, os nomes que construíram essa Makumba... Este texto é uma reflexão, uma sinalização sobre alguns pontos que precisam ficar evidentes.   Origem Bom, entre a metade do século 19 e início do século 20, algumas religiões afro se formaram no Rio de Janeiro, todas de origem Bantu com elementos indígenas e posteriormente com elementos católicos, kardecistas, místicos... Eram chamadas de Kalundu , Cabula e Makumba. A Makumba ficou famosa entre os pesquisadores da época e muitas vezes esse termo virou guarda chuva para todos os r

Chegada de onde nunca saí

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Olá irmãos e irmãs do M'banda! Sou Bruno Quintino, de Vila velha, Espírito Santo e venho contar a história de como retornei ao terreiro onde nasci, mesmo sem saber.  No final da década de 70, minha tia começou a falar com voz diferente dentro de casa, o tipo de voz alternava em cada manifestação, que até ali ninguém sabia do que se tratava. Assustados, meus avós recorreram a padres, pastores, rezadeiras e nada "resolveu". Minha avó sugeriu procurar um terreiro de Umbanda , meu avô relutou bastante até que cedeu, devido ao estado da minha tia. Pois bem, chegaram ao CEO - Centro Espírita Orixalá, chefiado por Vovó Maria Conga e Caboclo Ubiratã . O Caboclo Ubiratã riu ao avistar minha tia e disse: sá fia é cavalinho, ela só precisa vestir o branco pra desenvolver a mediunidade. Assim, toda família da minha mãe e meu pai, começam a frequentar a Umbanda, nasci em 83 quando ainda frequentavam o terreiro e fui batizado enquanto bebê. Minha família saiu do terreiro e continuou

Simbolismo das cores na África e na diáspora

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  Cor é linguagem, e vai além de ser só estética, tem um grande poder simbólico cultural e religioso. Cada cor assume características diversas dependendo da cultura, e apesar de hoje reconhecermos vermelho, azul e amarelo como cores primárias, para a maioria dos povos africanos as cores primárias eram branco, preto e vermelho. Eram as cores extraídas da natureza e associadas a eventos naturais ou com atributos do dia a dia. Nem todos esses povos concordavam com o simbolismo dessas cores, mas a linguagem se interconectava... Vermelho: cor do sangue, da força, da coragem, tons de laranja eram entendidos como vermelho... Preto: cor da terra, do oculto, da noite, da magia, azuis, verdes e cinza escuro eram entendidos com preto Branco: cor dos ancestrais, dos ossos, do sêmen, do nascer do sol, cinza claro e amarelo eram entendidos como branco. Entre os Yorubás, estas cores fazem parte da vida religiosa. Para os Igbo, a cor branca é símbolo da pureza, hospitalidade, está ligada aos ritos ini

O culto e suas ramificações...

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Imagem maravilhosa de José Carlos Martinez que ilustrava lindamente a Revista Planeta Eu cresci lendo a Revista Planeta, na adolescência tive muita curiosidade em aprender mais sobre as religiões afro, achava que só a oralidade do terreiro não bastava... Isso me causou alguns conflitos, em alguns momentos questionei as práticas do terreiro porque em minhas pesquisas não encontrava elementos que fui acostumada a ver no dia a dia da Tenda do Caboclo Lírio, inclusive não lembro por exemplo da minha tia Lenice - que era minha mãe de santo - falar em Zélio de Moraes, em Kardec e me questionava como as pessoas daquela época não conheciam - eu só fui conhecer adulta e através de pesquisa - nomes " importantes " para a religião que praticavam... Até entender que nem tudo está nos livros, a Makumba não é lida, é experimentada! Hoje sigo os ensinamentos que tive lá atrás, honro o conhecimento dos meus ancestrais e a tradição onde nasci. Mas a Revista Planeta foi minha companheira ness