M'banda

Imagem
  M'banda é uma palavra do Kimbundu, uma língua Bantu, e com alguns significados, pode indicar um coletivo religioso, a/o líder desse coletivo, mas o de uso mais comum é : magia, a arte de curar. No Kimbundu quando as letras M e N precedem outra consoante, elas tem um som de vogais nasaladas, ou seja: em/en, im/ìn, um/un. A palavra M'banda pode ser lida como embanda, imbanda, umbanda ... Oscar Ribas, escritor e etnólogo Angolano, afirma que em Angola, " Umbanda " é um rito de cura, um tipo de medicina natural que envolve a intervenção de espíritos, é a ciência do Kimbanda ( sacerdote, curandeiro ). O historiador Wilson do Nascimento Barbosa, indica a palavra Nblanda para definir práticas religiosas Bantu no sudeste do país. Nblanda estaria muito além de um movimento religioso, seria uma filosofia espiritual mesclada a uma ideologia social na metade do século 19. Aqui M'banda tem exatamente este sentido, uma filosofia de vida que mescla espiritualidade, princípio

Chegada de onde nunca saí


Olá irmãos e irmãs do M'banda!


Sou Bruno Quintino, de Vila velha, Espírito Santo e venho contar a história de como retornei ao terreiro onde nasci, mesmo sem saber. 


No final da década de 70, minha tia começou a falar com voz diferente dentro de casa, o tipo de voz alternava em cada manifestação, que até ali ninguém sabia do que se tratava. Assustados, meus avós recorreram a padres, pastores, rezadeiras e nada "resolveu".


Minha avó sugeriu procurar um terreiro de Umbanda, meu avô relutou bastante até que cedeu, devido ao estado da minha tia. Pois bem, chegaram ao CEO - Centro Espírita Orixalá, chefiado por Vovó Maria Conga e Caboclo Ubiratã. O Caboclo Ubiratã riu ao avistar minha tia e disse: sá fia é cavalinho, ela só precisa vestir o branco pra desenvolver a mediunidade. Assim, toda família da minha mãe e meu pai, começam a frequentar a Umbanda, nasci em 83 quando ainda frequentavam o terreiro e fui batizado enquanto bebê.


Minha família saiu do terreiro e continuou girando dentro de casa e na praia, eu, criança, cresci assistindo tudo aquilo e consequentemente aprendendo. 


Por conta de namoros, acabei frequentando igrejas evangélica e católica, ficando longe da Umbanda nesse tempo. Certa vez, um grande amigo me fez uma pergunta: irmão, você visitaria o terreiro que faço parte?


Na mesma hora eu disse que sim e perguntei o porque do convite.

Ele respondeu: tenho reparado você conversando com as pessoas, tenho a sensação que você é médium. Você sempre tem uma resposta positiva pra quem te conta um problema, inclusive para pessoas que você mal conhece.


Eu não sabia, esse meu amigo era o Ogã da casa. Fui visitar o terreiro, pisei na areia (areia de praia) e senti uma energia sem igual, fui consultar com Vovó Rufina e ela disse: Vosuncê nem sabe o que tá fazendo aqui, nem sabe que nasceu aqui, o povo que te carrega está esperando por você, para trabalhar nesse casuá!


Vovó Rufina me deu um papel, era uma autorização para ser médium daquela casa, e não fazia ideia do que ela tinha dito, como assim nasci ali?


Meu amigo então me perguntou pós consulta como tinha sido, mostrei o papel pra ele e o mesmo ficou assustado, dizia que pra ser médium naquela casa não era assim, teria que frequentar a assistência e depois de um bom tempo poderia ser convidado a ingressar na casa. Sorriu e disse: seja bem-vindo!


Fui pra minha casa pensativo, não tinha entendido nada e muito menos a certeza do meu amigo que eu frequentaria a Umbanda. Só sei que passei pela porta de casa, vi minha mãe e disse: Mãezinha, fui num terreiro de Umbanda, fui convidado a ser médium de lá, eu vou!


Ela olhou meio assustada e perguntou onde era, respondi, ela devolveu: Foi onde te batizei bebê! 


Minha mãe muito emocionada contou toda a história que relatei acima, contou coisas das quais nunca tinha falado, como o nome do caboclo que ela incorporava, o Caboclo 7 Flechas. Desabafou dizendo que largou pelo medo da responsabilidade, pois ela tinha entidades de chefia e me alertou que isso passaria dentro da família, sem afirmar que poderia ser comigo. 


Não demorou para o Caboclo Araribóia se apresentar, meu Pai, meu amigo, meu guia e cá estamos até hoje. Relutei em aceitar meu papel dentro da Umbanda, hoje, sou muito feliz por ser um grãozinho de areia ajudando a levar a frente minha ancestralidade.


Adorei as almas, Salve as Benditas Almas. Saravá!


Bruno İndio - 38 anos, macumbeiro, capoeira, filho de costureira e mecânico, irmão, tio, preto, indígena. Lutador do dia a dia, desde o primeiro suspiro até o último.



Proibida a reprodução total ou parcial, sem autorização. Lei nº 9610/98


Postagens mais visitadas deste blog

M'banda

Origem, o mito e o futuro da Makumba

Makumba Karióka - A origem, o mito e a encruzilhada