M'banda

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  M'banda é uma palavra do Kimbundu, uma língua Bantu, e com alguns significados, pode indicar um coletivo religioso, a/o líder desse coletivo, mas o de uso mais comum é : magia, a arte de curar. No Kimbundu quando as letras M e N precedem outra consoante, elas tem um som de vogais nasaladas, ou seja: em/en, im/ìn, um/un. A palavra M'banda pode ser lida como embanda, imbanda, umbanda ... Oscar Ribas, escritor e etnólogo Angolano, afirma que em Angola, " Umbanda " é um rito de cura, um tipo de medicina natural que envolve a intervenção de espíritos, é a ciência do Kimbanda ( sacerdote, curandeiro ). O historiador Wilson do Nascimento Barbosa, indica a palavra Nblanda para definir práticas religiosas Bantu no sudeste do país. Nblanda estaria muito além de um movimento religioso, seria uma filosofia espiritual mesclada a uma ideologia social na metade do século 19. Aqui M'banda tem exatamente este sentido, uma filosofia de vida que mescla espiritualidade, princípio

Simbolismo das cores na África e na diáspora


 

Cor é linguagem, e vai além de ser só estética, tem um grande poder simbólico cultural e religioso.


Cada cor assume características diversas dependendo da cultura, e apesar de hoje reconhecermos vermelho, azul e amarelo como cores primárias, para a maioria dos povos africanos as cores primárias eram branco, preto e vermelho. Eram as cores extraídas da natureza e associadas a eventos naturais ou com atributos do dia a dia.


Nem todos esses povos concordavam com o simbolismo dessas cores, mas a linguagem se interconectava...


Vermelho: cor do sangue, da força, da coragem, tons de laranja eram entendidos como vermelho...


Preto: cor da terra, do oculto, da noite, da magia, azuis, verdes e cinza escuro eram entendidos com preto


Branco: cor dos ancestrais, dos ossos, do sêmen, do nascer do sol, cinza claro e amarelo eram entendidos como branco.


Entre os Yorubás, estas cores fazem parte da vida religiosa.


Para os Igbo, a cor branca é símbolo da pureza, hospitalidade, está ligada aos ritos iniciáticos, de conexão com os ancestrais e de purificação com o giz de caulim chamado de Nzu.


No cosmograma bakongo, as três cores aparecem e tem a presença de amarelo, representam o ciclo diário do sol e as fases da vida.


Amarelo é a cor da concepção; preto é a cor do aprendizado, do nascimento; vermelho é a cor da força, da vitalidade; branco é a cor dos ancestrais.


Curiosamente estas mesmas cores aparecem em rituais de vários povos indígenas da América, algumas com significado distinto, mas ainda assim vemos a importância delas para povos ancestrais ligados a espiritualidade centrada na terra, na natureza...


A linguagem das cores veio para a diáspora, segue a ideia de associação ( vermelho: fogo, força, sol do meio dia, etc. ) e está presente em toda ritualística, nas vestes, nos amuletos, nas oferendas.


Mesmo tendo um certo acordo, o uso pode variar de casa para casa...


Segue abaixo uma lista de cores usadas nas casas que me originei e que eram comuns em muitos terreiros de Makumba Antiga:



Oxalá - Branco

Ogum - Vermelho, verde e branco

Oxóssi - Verde, vermelho e branco

Ossaim - Verde escuro, branco e marrom

Oxumarê - Azul e branco

Xangô - Marrom, branco, vermelho alaranjado

Obaluaiyê - Preto, branco, amarelo e vermelho

Oxum - Tons variados de azul

Yemanjá - Tons variados de azul, branco e branco transparente

Nanã - Roxo, lilás e branco

Yansã - Laranja, amarelo e branco



Caboclos - Verde, vermelho, branco e marrom

Pretos velhos - Preto, branco, amarelo e vermelho

Crianças - Colorido

Exús e Pombagiras - Vermelho, preto, amarelo e branco


As cores usadas por entidades podiam variar de acordo com a individualidade...




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