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M'banda

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  M'banda é uma palavra do Kimbundu, uma língua Bantu, e com alguns significados, pode indicar um coletivo religioso, a/o líder desse coletivo, mas o de uso mais comum é : magia, a arte de curar. No Kimbundu quando as letras M e N precedem outra consoante, elas tem um som de vogais nasaladas, ou seja: em/en, im/ìn, um/un. A palavra M'banda pode ser lida como embanda, imbanda, umbanda ... Oscar Ribas, escritor e etnólogo Angolano, afirma que em Angola, " Umbanda " é um rito de cura, um tipo de medicina natural que envolve a intervenção de espíritos, é a ciência do Kimbanda ( sacerdote, curandeiro ). O historiador Wilson do Nascimento Barbosa, indica a palavra Nblanda para definir práticas religiosas Bantu no sudeste do país. Nblanda estaria muito além de um movimento religioso, seria uma filosofia espiritual mesclada a uma ideologia social na metade do século 19. Aqui M'banda tem exatamente este sentido, uma filosofia de vida que mescla espiritualidade, princípio

Arte Plumária Bantu-Ameríndia

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  Nkisi - Século 19 - Reino do Congo - Loango " Cabocla seu penacho é verde Seu penacho é verde É da cor do mar É a cor da cabocla Jurema " A Arte Plumária é uma característica da maioria dos povos indígenas do mundo e é muito mais que elementos decorativos, é a identidade desses povos, através dela é possível saber qual a cultura de cada um deles, por exemplo. O que chamamos de arte, para eles é de uso habitual e principalmente ritualístico/religioso que também define posições sociais, sacerdotais, etc.   A Arte Plumária indígena é acima de tudo o elo desses povos com a natureza. Na época da colonização muitos desses elementos considerados decorativos foram perdidos para os europeus, como o manto Tupinambá do século 16 que está em um museu da Bélgica.  Hoje vários povos indígenas comercializam sua Arte Plumária como uma forma de gerar renda, infelizmente nem todos que compram é por apreciação cultural, sim para revenda com valores altíssimos e que não são repassados para os

M'banda

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  M'banda é uma palavra do Kimbundu, uma língua Bantu, e com alguns significados, pode indicar um coletivo religioso, a/o líder desse coletivo, mas o de uso mais comum é : magia, a arte de curar. No Kimbundu quando as letras M e N precedem outra consoante, elas tem um som de vogais nasaladas, ou seja: em/en, im/ìn, um/un. A palavra M'banda pode ser lida como embanda, imbanda, umbanda ... Oscar Ribas, escritor e etnólogo Angolano, afirma que em Angola, " Umbanda " é um rito de cura, um tipo de medicina natural que envolve a intervenção de espíritos, é a ciência do Kimbanda ( sacerdote, curandeiro ). O historiador Wilson do Nascimento Barbosa, indica a palavra Nblanda para definir práticas religiosas Bantu no sudeste do país. Nblanda estaria muito além de um movimento religioso, seria uma filosofia espiritual mesclada a uma ideologia social na metade do século 19. Aqui M'banda tem exatamente este sentido, uma filosofia de vida que mescla espiritualidade, princípio

Makumba não é lida, não é contada, é vivida...

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  Conhecimento e vivência são coisas distintas, e isso no meio afro religioso em um peso grande... Acho uma maravilha que hoje com o advento da internet tenhamos acesso a informação, mas isso nem de longe significa que conhecimento teórico, formação acadêmica substitui a essência da Makumba que é a experimentação.  O verdadeiro conhecimento nas espiritualidades/religiões ancestrais só acontece através da experiência vivida... Nos últimos anos vi o crescimento de um movimento que descarta a vivência em nome do conhecimento teórico valendo-se de títulos acadêmicos, longe de mim descartar o meio, também uso material acadêmico em minhas pesquisas e estudos, acho muito válido e precioso, mas não podemos cair na bobagem de repetir o que foi feito lá atrás quando cientistas da religião por mais que tenham deixado material com informações interessantes, também criaram esse movimento que ressoa até hoje; deslegitimaram práticas, usaram linguagem preconceituosa, sobreporam culturas e espiritual

Hibridismo religioso

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  Apesar de ter me originado de uma casa de Umbanda com o Congá construído com inúmeras imagens de santos católicos, eu nunca tive uma boa relação com o sincretismo. Primeiro, porque a ideia de Deus nos moldes abraâmicos me incomodava muito, eu nunca consegui adorar um deus egocêntrico, violento, vingativo... Segundo, porque não conseguia associar divindades africanas com imagem de santos; eu não conseguia, por exemplo, pensar na guerreira Oyá, mãe de muitos filhos e suas aventuras amorosas com Xangô, com Ogum e associar essa potência com Santa Bárbara. Meu contato com o Candomblé me deu maior abertura para não usar o sincretismo, mas foi o meu contato por muito anos com o paganismo que, definitivamente, me deu base para não usar o sincretismo em minhas práticas. Mas como pesquisadora eu não posso negar fatos e centralizar conteúdo me limitando a achismos ou  minhas preferências espirituais/religiosas, por isso esse texto leva, sim, em consideração minhas convicções, mas foi criado pri

Energia: Reter, transferir...

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Energia é um assunto muito complexo em vários aspectos, em espiritualidade é mais complexo ainda... Acredito que as vezes algumas complexidades sobre energia espiritual tenham a ver com confusão semântica, precisamos dar nomes as coisas e nem sempre os nomes condizem com o real sentido... No meu trabalho por exemplo, usa-se muito a palavra neutra para categorizar algumas cores, mas neutra significa não estar em lugar algum, no meu material didático substitui a palavra neutra por mista que significa constituída por dois elementos, heterogênea... Não existem limites para energia, os limites são nossos, por isso é totalmente possível e normal o envio de energia a distância, um ritual de cura a distância , consulta ao oráculo a distância, sintonizações espirituais a distância, por outro lado um certo limite pode surgir quando a confusão semântica acontece, quando existe a ideia de retenção e transferência de energia. Reter significa aprisionar e é humanamente impossível aprisionar energia

Kalunga

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  No Brasil e talvez em outros países com religiões afro diaspóricas de origem Bantu ( Candomblé, Cabula, Kalundu, Makumba, Omolokô e até a Umbanda Africanizada, Palo Mayombe, Makaya, etc. )  a palavra Kalunga é muito usada para definir o mar ( Kalunga Grande ) e o cemitério ( Kalunga Pequena ) e de certa forma esse é o significado, mas eu tenho a impressão que na maioria das vezes é usada com medo, inclusive existe um certo medo quando entidades usam a palavra Kalunga em seus nomes simbólicos... No entanto, Kalunga está totalmente atrelada a cosmogonia Bantu , ao vários planos de existência, ao ciclo de concepção, nascimento, vida e morte da Dikenga . Kalunga é a linha divisória da Dikenga representada pelo mar, tudo acima da linha é vida, tudo abaixo da linha está relacionado a morte, mas não a morte dentro do conceito ocidental ou cristão. Abaixo da Kalunga estão os ancestrais e a preparação para novas vidas. Kalunga também é o nome da Divindade Suprema para alguns povos Bantus,

Boneca Voodoo

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Graças ao cinema o Voodoo ficou com estigmas ruins, talvez o maior seja o uso de bonecas espetadas com alfinetes em feitiços de vingança. Mas a realidade das bonecas Voodoo é bem diferente. O Voodoo se desenvolveu no Haiti e Luisiana, é uma religião afro diaspórica com forte influência Ewé/Fon e Bantu. É bem possível que as bonecas tenham se desenvolvido nas senzalas através do intercâmbio desses dois povos, uma fusão do Gris Gris Vodum e do Nkisi Bantu. O povo do Benin e do Togo usava umas esculturas de madeira com base pontiaguda para fixar na terra, normalmente no quintal. Essas esculturas eram recheadas ou ornamentadas com vários elementos e depois ativadas magicamente com saliva, ervas, álcool... Bócio Vodum - Benin - Commons Os Bantu tinham um costume muito parecido chamado Nkisi. No Brasil os Minkisi ( plural de Nkisi ) são entendidos como divindades, mas originalmente eram fetiches, uma espécie de receptáculo com poder mágico ou sobrenatural. Esses recipientes normalmente tinha

Miçangas

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Desde a antiguidade que todo elemento decorativo usado no corpo forma uma linguagem... Arqueólogos afirmam que o uso de miçangas na África remonta pelo ao menos 10.000 aC, tinham propriedades sociais, decorativas e religiosas, também foram moedas de troca ...  Eram confeccionadas com materiais naturais, sementes, pedras, ossos, conchas até a chegada da colonização e suas contas de vidro...   Adornavam a cabeça, pescoço, tornozelos, pulsos, acredita-se que inicialmente eram usadas como insígnias reais e posteriormente desenvolveram um significado mais popular, na maioria das vezes como identificação de cada etnia.  Esse desenvolvimento popular deu lugar ao simbolismo espiritual ou religioso.  Sangomas, N'gangas usam como amuletos, tanto para manter o equilíbrio espiritual quanto para banir energias ou espíritos ruins, as cores, formatos e onde serão usadas no corpo, variam de acordo com a necessidade espiritual. Também são usadas em oráculos e dentro de cabaças que quando sacudidas